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Prefácio

Iniciar

Processo de mudança

O poder das crenças

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Índice


Prefácio - 3

Iniciar - 5

O processo de mudança - 8

O poder das crenças - 17

A limitação do ser – 22

As emoções que nos guiam - 24

Questionar as crenças que nos limitam - 28

Para mudar as crenças - 34

Mudar o passado no presente - 38

Não existem crenças neutras - 46

Observar as nossas crenças - 52

O despertar de uma nova consciência – 58

Dar é o mesmo que receber - 68

Aprender de novo - 79

O mundo em mudança - 84

Sobre a matéria - 88

A outra escolha - 94

A Lei da Atracção - 102

Opostos e contrastes - 105

As várias etapas da atracção - 111

A sabotagem dos nossos desejos - 115

A atenção deliberada - 117

O poder das afirmações - 120

A última etapa da atracção - 123

O todo não admite exclusões - 127

Fazer “reset”- 130

Sobre os relacionamentos - 134

O princípio e o fim dos relacionamentos - 145

O espelho da mente - 155

O perdão que não condena - 161

As feridas emocionais - 173

Notas finais - 186

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Prefácio

O bem-estar é o nosso bem mais precioso. Desde tempos imemoriais, muitas teorias têm percorrido o mundo com a intenção de ajudar a humanidade a obter o seu bem-estar. Para algumas pessoas, esse estado define-se simplesmente como uma boa saúde, para outros um conjunto de circunstâncias que terão de permanecer em determinados níveis, para que esse estado exista.
A experiência da maioria, é que o bem-estar é um equilíbrio precário, comparando-o ao esforço dum equilibrista numa corda bamba.
Como podemos influenciar este equilíbrio?
A gestão desta dinâmica nas nossas vidas é essencial, mas requer um “upgrade” da nossa compreensão, nomeadamente sobre o efeito dos nossos pensamentos, no mundo que percepcionamos.
Neste livro, eu proponho-lhe uma visão diferente da realidade e do mundo, que o poderá ajudar a equilibrar o seu sistema emocional, e permitir-lhe influenciar positivamente a sua vida.
Durante muitos anos, procurei compreender a origem das nossas emoções e sentimentos. Livros, filmes, seminários, inspiração, etc., foram alguns dos instrumentos que me serviram nesse propósito.
Os pensamentos aqui expressos, manifestam uma outra visão que, espero, possa iluminar aqueles que procuram saber mais acerca da realidade do mundo.

Carlos Anastácio.

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Iniciar

Como a maioria das pessoas, aprendi a responsabilizar o mundo, pelo meu mal-estar. Quando não me encontro feliz ou quando as coisas não correm como eu quero, procuro sempre uma causa que, normalmente, é exterior a mim. O estado do tempo, alguém que podia ter sido diferente, a economia em recessão, o estado da minha conta bancária, o trânsito caótico, etc.

Culpar algo fora de mim para justificar o meu mal-estar, funcionou sempre como um alívio, e nunca me questionei sobre isso. É automático. O meu bem-estar ou mal-estar sempre dependeu do decorrer do dia. Dos acontecimentos fora de mim. E nunca me faltaram evidências para corroborar esta ideia.
Anos mais tarde, já dedicado à área do desenvolvimento pessoal, comecei a compreender que esta atitude mental, em vez de produzir efeitos benéficos no meu estado emocional, pelo contrário, só trazia ainda mais infelicidade e mal-estar. Percebi então, que sentir-me bem ou sentir-me mal, não só é uma escolha inconsciente, em cada momento, como também não depende dos acontecimentos exteriores a mim. Que as circunstâncias de vida não são a causa do que sinto, mas sim a minha reacção emocional a elas. E que essa é uma escolha, que eu tenho o poder de corrigir em cada momento.

Ao princípio, aceitar esta nova perspectiva, gerou em mim muita confusão, pois contrariava tudo o que me ensinaram e a que eu me habituei. Significava que, em qualquer momento, independentemente do que estivesse a acontecer, dentro ou fora de mim, eu tinha o poder de escolher. Escolher se queria reagir negativamente aos acontecimentos que me pareciam negativos, culpando-os pelo que estava a sentir, ou optar por manter um estado de tranquilidade perante a situação. A opção era, ser feliz ou ter razão. É claro que não foi nada fácil. A parte de mim que vê benefícios no papel de vítima do mundo, não desistiu facilmente.

Afinal, pensava eu, como é possível que alguém se sinta bem, quando as coisas não correm como deseja?
Quem é que pode sentir-se bem, quando as pessoas são antipáticas e mesquinhas?
Quem é que pode sentir-se seguro sob a ameaça do desemprego?
Quem é que pode estar em paz, quando não tem saúde ou dinheiro suficiente?
Mais tarde, compreendi que isso não só era totalmente possível, como desejável. Afinal, quem é que gosta de sentir mal?
Aprendi que tinha uma escolha entre a paz e o medo. O poder de decidir o que queremos sentir, em vez de nos considerarmos vítimas das situações. O poder de agir em vez de reagir. Compreendi que na realidade, em cada momento, só podemos sentir um de dois sentimentos. Paz ou medo. Que em qualquer situação, podemos tomar consciência de como nos sentimos e escolher a paz em vez do medo.
Quando aceitei isso, compreendi que tinha feito um “upgrade” à minha consciência.

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O processo de mudança

Não tenho a intenção de complicar ou intelectualizar demasiado, a explicação deste processo de mudança, mas, se lhe parecer que o estou a fazer, entenda isso como uma resistência temporária, da sua estrutura mental actual, aos pensamentos aqui apresentados.
Comecemos então, por questionar alguns conceitos que fazem parte da compreensão habitual da nossa vida como seres humanos.
Para a maioria das pessoas, a vida é uma experiência temporária, limitada e que está ao sabor da sorte e do azar. Bons acontecimentos, maus acontecimentos, tudo depende da estrelinha com que nascemos. É o  destino, dirão alguns. É karma, dirão outros. Pessoalmente considero esta visão como redutora, pois exclui a possibilidade de escolha e das mudanças de rumo, sempre disponíveis.

A vida, na sua essência, não é temporária mas sim permanente, se a compreendermos como algo que nunca cessa de existir. Uma coisa que tenha a consciência de existir, tem uma essência intemporal e por isso, eterna. A vida, como diz o termo, não pode cessar. Senão contraria o termo. Ela não é simplesmente o oposto da morte, como se pensa. A vida não tem oposto. Vida é a existência ininterrupta, de tudo o que existe. E o leitor tem consciência de que existe. Eu também. Este livro também. Nós somos a vida. As formas podem mudar, mas a essência é sempre a mesma. A vida nunca cessa de ser. As formas são agregações temporárias de energia. Mas, tudo é vida.

A morte é apenas uma mudança de identificação que um actor faz, quando muda de personagem no teatro, onde desempenha o seu papel. A nossa forma corporal parece ter vida própria. Mas, quando não nos identificarmos mais com ela, parece deixar de viver. A isso chamamos morte. A história dum personagem que chegou ao fim. A vida que somos, viverá outras histórias e outros personagens, num ciclo infindável, até que decidamos sermos apenas vida e deixemos de reviver a morte encenada.
A vida impregna tudo o que existe. Sinta que este livro tem um espírito e que é isso que capta nele, quando o lê. Sinta a minha presença através do que está ler. Quando cheira uma rosa também estará a captar a sua essência. Se agarrarmos num esqueleto, lhe vestirmos umas roupas, lhe pusermos uma cabeleira e lhe pintarmos os lábios, isso não significa que esse esqueleto tenha vida. Como vê, é necessário que nós, que somos a vida, nos identifiquemos com uma forma física para que ela pareça existir e tenha significado.

É fundamental, portanto, que elevemos a nossa compreensão sobre aquilo a que chamamos vida, se pretendemos avançar para um estado mais constante de paz e tranquilidade. E o leitor sabe isso intuitivamente, senão não estaria a ler este livro. Essa tomada de consciência é inevitável. O que varia é o quando estaremos dispostos a fazê-lo.
É normal que a ideia que temos do nosso ser, esteja condicionada por milhares de anos de equívocos, que foram passados de civilização em civilização. A ideia que temos do que somos, foi construída durante milhões de anos.
Essa programação mental, leva a que nos identifiquemos com a forma antropomórfica do corpo humano, que por sua vez, tem origem noutros corpos. A vida é uma colecção de experiências emocionais, que julgamos através do passado, para depois morrermos.

Qual será então, o objectivo de viver?
Experimentar tudo o que se puder e depois morrer? Numa vida pudemos experimentar tudo?
Muitas pessoas, atribuem uma razão divina à sua estadia neste mundo. Pensam que alguém lhes traçou um destino, uns roteiros que terão obrigatoriamente de seguir. Outras, pensam que têm uma missão a cumprir e desesperam à procura do significado da sua vida.
Logo à partida, vemos que neste raciocínio está implícito, que alguém é responsável, não só pela nossa estadia neste mundo, como também pelas experiências que nele vivemos. E mais tarde pela nossa morte. É claro que nessa perspectiva, o ser humano não poderá deixar de ser visto como uma vítima, uma vez que não tem qualquer decisão nessa escolha.

Outras pessoas, poderão pensar que o objectivo da vida é o de conseguirmos aperfeiçoar o nosso corpo e o nosso comportamento, de modo que um dia a morte deixe de existir, e possamos viver eternamente na paz. Poderá ser um ideal a perseguir, mas certamente difícil de conciliar no mundo, tal como o conhecemos.
Já imaginou se alguém, por ironia do destino, tivesse descoberto hoje a cura para todas as doenças?
Imagine que amanhã os “media” de todo o mundo, anunciavam essa descoberta. Consegue imaginar o caos que seria no mundo, se todos os laboratórios, médicos, enfermeiros, terapeutas, hospitais e trabalhadores do sector da saúde ficassem, a curto prazo, no desemprego?
Mas será esse o caminho certo?

Nunca a humanidade dispôs, como agora, duma tecnologia médica tão avançada. Nunca existiram tantos hospitais e medicamentos à disposição do ser humano. No entanto, não é estranho que, apesar de todas essas facilidades e tecnologias disponíveis, cada vez haja mais pessoas doentes? Será esta a solução?
Actualmente, pessoas e organizações em todo mundo, trabalham arduamente para vencer o cancro. É um esforço muito apreciado pela maioria. Mas se a doença fosse um conceito criado pela nossa mente, não seria melhor que, simultaneamente com descoberta da cura para o cancro, começássemos a compreender como se forma a doença, em vez de tentarmos eliminar um dos seus efeitos, que é o cancro?

Muitos mestres já disseram que não há doenças, mas sim pessoas doentes.
Se o conceito tradicional da doença continuar a ser aceite por nós, não estaremos a criar novas formas de cancro? Outras formas de morte?
E o que é que estará em causa? O modo como se morre ou o facto de morrermos?
Ao longo da vida, primeiro pelos nossos pais, mais tarde pelos professores da escola e pela sociedade onde nos inserimos, somos continuamente doutrinados sobre o que devemos saber sobre nós. Gerações consecutivas de seres humanos acumularam e transmitiram entre si, inúmeras crenças, que deram origem ao que sabemos sobre a vida e o mundo. É interessante observar, que nas escolas apenas nos ensinam o que já passou e a planear o futuro baseando-nos nisso.

Felizmente que uma nova consciência começa a despontar, permitindo assim questionar a estrutura do sistema de pensamento que, como humanidade, partilhamos. O que sabemos sobre o ser humano está a mudar. E se está a mudar, é porque não era totalmente verdadeiro.
A verdade, é que todas as pessoas começam as suas vidas neste mundo, com um processo de condicionamento, cujo objectivo, é o de as convencer a identificar-se com o seu passado. Ou seja, com a soma de todas as memórias do que viveram no passado. Nesta perspectiva, sem o passado, não saberíamos quem somos. Não teríamos referências.
No entanto, este conceito torna-se paradoxal, quando tomamos verdadeira consciência, de que o passado já passou. Já não existe. E podemos afirmar que somos o que  não existe?

Neste mundo, convencionou-se que uma coisa só existe e é real, se num determinado momento, a podermos tocar ou percepcionar com os nossos sentidos. Isso dá-nos a ideia da existência real dessa coisa. Por isso, atribuir a nossa identidade a um passado com o qual já não podemos interagir, não deixa de ser algo paradoxal.
Isto torna-se ainda mais evidente, quando pensamos no que gostaríamos de mudar na nossa personalidade. Se ela está no passado, como mudá-la?
Todos sabemos que só podemos mudar algo, que esteja no presente. A verdade é que só podemos interagir com algo no agora, uma vez que esse é o único tempo onde isso é possível. É o único tempo que é real.

Por exemplo, neste momento, no local em que o leitor se encontra, se um objecto não está no sítio que deseja, terá duas opções: ou o muda de lugar ou se não o puder mudar, vai ter de aceitá-lo no lugar onde está. Assim não haverá conflito.
Também não podemos mudar o nosso passado, mas podemos aceitá-lo. Assim não haverá conflito.
O processo de mudança da nossa vida, começa com o aceitar de tudo o que está nela. Não temos de concordar com o que está na nossa vida. Mas temos de aceitar que, o que quer que seja, já está nela. Essa atitude de aceitação, permite o inicio de algo novo e estimulante.
A não aceitação do momento presente é gerador de sofrimento pela resistência o mesmo. Por exemplo, imagine que planeou um encontro importante na praia, na expectativa de que ia estar um dia cheio de sol e onde se poderia relaxar. Quando se levanta, na manhã desse dia, observa que o dia está chuvoso e que os seus planos foram por água abaixo. Começa a sentir uma irritação e interroga-se porque é que isto lhe acontece sempre que faz planos para ser feliz?

Na verdade, o seu sofrimento é a sua resistência ao dia que não está a aceitar. Se aceitasse o dia como ele se apresentou, escolheria facilmente uma outra opção, para ocupar o seu dia. Talvez ler um livro ou ir ao cinema. Sem resistência não há conflito. Sem conflito não há sofrimento.
Pense nisto. O leitor não é, seguramente, o que já foi. E também não é o que vai ser no futuro. Mas será sempre, ou seja eternamente, o que é em cada momento. Por isso, diz sempre em cada momento, “eu sou!”
Imagine que nasce em cada momento, mas que já sabe fazer o que sabe. Como se fosse um bebé, mas com a experiência de um adulto. Sabe trabalhar com o computador, andar nos transportes públicos, conduzir um carro, etc. Nesta perspectiva, o ser com que se identifica, não pode ser definido pelo passado, embora as memórias do passado, lhe sejam muito úteis para funcionar neste mundo de coisas concretas.

Consegue imaginar as consequências desta forma de ser?
Os medos desaparecem. Como não utilizamos o passado para nos dizer quem somos, já não tememos ser rejeitados, abandonados, traídos, etc. O futuro deixa de ser uma preocupação. Um bebé não sabe o que o futuro.
Como não permitimos que o passado nos diga o que vai ser o hoje, que prazer será viver cada dia sem medo, abertos à aventura e ao conhecimento do novo.
A nossa experiência da convivência com os outros, seria a de estarmos num recreio dum jardim-escola, como se fossemos crianças com dois ou três anos de idade. Não haveria rancor, ressentimento, competição. Apenas a partilha da nossa alegria natural e inocente. Embora todos trabalhássemos para o bem comum, todas as pessoas seriam sempre vistas como se fosse a primeira vez. Por isso, haveria sempre uma curiosidade genuína e prazer em conhecer.

Faça esta experiência. Veja-se como sendo apenas o que está neste momento. O passado já passou e o futuro ainda não está feito. Como se sente?
É normal, despertarmos pela manhã, sintonizarmo-nos com o que pensamos que somos, ou seja com o que já passou, e voltamos a ser o personagem que fomos ontem, com medo que o passado se repita no futuro. Não conseguimos pensar no futuro, sem nos basearmos no passado. Como se o futuro, fosse uma repetição do que já passou. É por isso que o tememos. Não admira pois, que as pessoas que prevêem a economia ou o estado do tempo vivam frustradas. Ao preverem o futuro através das estatísticas, ou seja do passado, acabam por ter algumas surpresas.

O agora nunca se repete. Mas, se eu o “vir” através do filtro do passado, a minha interpretação dele será sempre a mesma. Por isso, vemos sempre o mesmo.
Recorde o ditado “gato escaldado, de água fria tem medo”. Como o gato vê o futuro através do passado, pensa que a água do futuro é igual à do passado. Por isso teme o contacto com a água, e assim acaba por perder um dos maiores prazeres da vida. O de desfrutar de um banho.
Leitor, a história do personagem da sua vida, é definido pela sua mente, baseando-se nas memórias dum passado que já não existe, mas que ela aceita como se fosse o agora.

Não admira que tantas pessoas se deprimam e percam o interesse pela vida. Elas estão sempre a reviver o passado. Como as suas crenças baseadas no passado limitam as suas vidas, e elas temem abandonar o conforto do já conhecido, acabam por viver continuamente experiências repetitivas. Este fenómeno não pode deixar de conduzir à depressão e à falta de sentido da vida. A vida é sempre, tudo novo. Quando estamos apegados uma vida inteira, a uma casa, a uma profissão, a um parceiro, e vemos esses relacionamentos através das crenças do passado, o tédio instala-se. Porque não existe nada de novo.

Então, as pessoas partem, abandonam os outros, abandonam a profissão, etc., pensando que se trocarem esses relacionamentos por outros, talvez venham a sentir um novo estímulo e entusiasmo pela vida. E ao princípio até parece que esse objectivo é conseguido. Mas depois volta a desilusão. É que o problema nunca esteve nos outros, mas sim no mecanismo mental do “ver”.

Como “vemos” as pessoas e as coisas através do passado, nunca conseguimos vê-las sem lhes atirarmos com o passado para cima. Se conseguíssemos ver o nosso parceiro, com quem já convivemos longos anos, como se fosse hoje a primeira vez, não seria um relacionamento muito mais estimulante? Mais respeitador? E de que o acusaríamos se não “víssemos” o passado dele?
Já imaginou se Israel visse pela primeira vez a sua vizinha Palestina?
Poderá dizer: “Isto é muito interessante, mas como é que se pode viver no mundo a pensar assim?”
A minha resposta seria: “O que é que o impede? Não será apenas uma crença que o limita?”
Para melhor compreendermos a importância que as crenças limitadoras têm na vida de cada ser humano, comecemos por considerar que são elas que nos impedem de ser, fazer ou ter, tudo que desejamos, no mais profundo do seu ser. São como uma prisão invisível, na qual somos, simultaneamente, o prisioneiro e o carcereiro.

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O poder das crenças

Uma pessoa que se vê cronicamente com falta de dinheiro, cada vez que pensa nisso, vê imagens de si mesma nas quais o dinheiro lhe falta. Seja qual for a situação com que nos deparemos repetidamente, ela é atraída pelas nossas crenças sobre essa área da nossa vida.
As crenças são programações mentais feitas através dos ensinamentos que os pais, os professores e a sociedade em geral transmitem. Algumas dessas crenças são-nos benéficas, outras não. Aquelas que não nos servem ou que não nos são benéficas, limitam-nos no que queremos ser, fazer e ter.

Uma crença é uma verdade ainda não questionada. Ao longo da vida, as verdades em que acreditamos vão mudando com a nossa compreensão do mundo. O que sabemos de nós próprios e do que nos rodeia está em permanente mudança. As verdades da nossa infância foram mudando com o avançar do tempo e com as experiências vividas. No entanto as mudanças que se vão operando no nosso sistema de crenças até atingirmos a idade adulta, só por si, não garantem a tranquilidade e a liberdade emocional de que todos desejamos usufruir.

Uma vez que são as nossas crenças que, em cada momento, nos dizem quem somos e o que podemos fazer, só através do seu questionamento continuado, poderemos continuar o nosso caminho em direcção à uma maior tranquilidade emocional.
Se pensarmos num “robot”, podemos deduzir que se ele tivesse uma ideia de si mesmo ou da sua identidade, ela seria baseada na informação que lhe foi introduzida pelo seu programador. Seria o equivalente às nossas crenças.

O comportamento desse “robot” é gerado por um sistema que, através dos sensores incorporados, compara as instruções que tem programadas na sua memória, com as situações que lhe são apresentadas pelo ambiente exterior onde este se movimenta. Neste caso as crenças do “robot” seriam as instruções que lhe foram introduzidas. Essa programação, por ser limitada, irá também limitar o comportamento do autómato. Se pretendêssemos alterar o comportamento do “robot”, ou seja obtermos um “robot” diferente, teríamos de fazer um “upgrade” ao seu “software". Este seria disponibilizado pelo fabricante e introduzido pelo programador. Mas mesmo com um “upgrade”, o novo comportamento do “robot” também seria de âmbito limitado pela programação que lhe fosse introduzida.

Analogamente, podemos comparar o condicionamento humano ao de um “robot”. Aliás, sabemos que a indústria dos autómatos reflecte cada vez mais a estrutura mental humana nas suas programações. Há muito tempo que os técnicos procuram criar autómatos cada vez mais perfeitos através da clonagem do comportamento humano.
Existe no entanto, um factor que distinguirá sempre e de forma radical o ser humano dum “robot”, por mais sofisticado que este venha a ser. A emoção. O ser humano, ao contrário dum equipamento robotizado, dispõe de um sistema comparável a um GPS emocional que lhe dá indicações determinantes sobre o que está a acontecer em cada momento. Esta informação é expressa sob a forma de sensações de bem-estar ou mal-estar e baseia-se no conhecimento multidimensional e supra temporário, do ser que somos. 

Imagine um GPS que contém os mapas de todas as estradas de todo o mundo ou seja, por analogia, o registo de todas as experiências possíveis de serem vividas por qualquer ser humano, em qualquer época ou lugar. Imagine agora, que em cada momento, este GPS emocional sabendo antecipadamente o que iremos encontrar em cada uma das estradas que iremos percorrer, nos está a orientar nas decisões que temos de tomar, através de emoções de bem-estar e de mal-estar. De emoções positivas ou negativas. Avançar ou parar.
No entanto, a maioria das pessoas foi ensinada a ignorar as suas emoções. Seguramente, muitas experiências desagradáveis poderiam ter sido evitadas se tivéssemos estado mais conscientes dos sinais enviados pelo nosso sistema emocional.

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